Simone de Oliveira, presente dia 9 de Outubro na Olympia de Paris para homenagear Amália Rodrigues

0

Cantora, actriz de teatro e televisão, Simone de Oliveira é uma das artistas portuguesas mais emblemáticas dos nossos dias e que muito tem contribuído para divulgar os músicos e poetas portugueses em todo o mundo. A sua estreia como cantora deu-se em Janeiro de 1958, no primeiro Festival da Canção Portuguesa, o antecessor do Festival RTP da Canção, que Simone venceu em 1965, com Sol de Inverno e em 1969 com Desfolhada Portuguesa, o maior êxito da sua carreira. Cantou no primeiro Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro e ao lado de Amália no Olympia, em Paris. Recebeu Prémios de Imprensa, Popularidade, Interpretação. Como actriz, Simone fez revista, televisão e teatro, sendo o seu maior êxito a peça A Tragédia da Rua das Flores. Em 2011, na XVI edição dos Globos de Ouro (Portugal), recebeu das mãos do Dr. Pinto Balsemão o Globo de Ouro Mérito e Excelência. Simone, visivelmente surpresa e emocionada, foi aplaudida de pé por todo o Coliseu de Lisboa durante vários minutos, toda uma carreira dedicada a cultura e ao seu país era assim de novo agraciada e reconhecida.

Simone de Oliveira, o que representa para si a Amália Rodrigues? E o que sentiu quando foi convidada para a homenagear dia 9 de Outubro na Olímpia de Paris?
Amália, será sempre e para sempre a Diva do Fado. Pelo Talento, pela voz, pela personalidade, pela alma e pela forma única de cantar. Ainda não percebi a escolha! Fiquei honrada, cheia de… nervos! Mas… orgulhosa!

Quais recordações guarda da Amália Rodrigues como pessoa e artista, visto que teve o privilégio de a entrevistar e ouvir cantar ao vivo?
Privei muito com Amália, quer em casa, na rua de São Bento, quer no palco, porque foi Amália quem  deu o meu nome para o espectáculo português no Olympia há cerca de cinquenta anos! Bem como o fez quando fui ao Brasil ao primeiro Festival Internacional da Música Popular Brasileira feito no Maracanãzinho. Amália foi júri.
Guardo as palavras bonitas, o seu jeito, o seu ar de mulher franzina, a sua paixão por flores, a forma como ela agarrava no seu cigarro… e como ela podia ser irónica. E também estou grata porque foi em casa dela que foram feitos os vestidos que levei ao Olympia em mil novecentos e sessenta e… sei lá… E que me foram oferecidos por ela!
Recordo também o seu enorme medo de andar de avião, das suas saias compridas que usava na rua, do seu dom de conversar e de como conseguia mesmo cheia de medo, entrar no palco… sempre a rezar.

O que representa para si o fado ? E o que pensa da nova geração de fadistas ?
O fado não se explica. Sente-se, sofre-se e está como uma marca na alma. É tão simples… mas ao mesmo tempo tão complicado. Gosta-se porque se gosta.
A nova geração tem interpretes magníficos, e como os conheço bastante bem, daqui vai o meu respeito, a minha admiração e o meu aplauso.

Diz que gosta ouvir boa música, assim que Bécaud e Aznavour. De onde lhe vem sua paixão pela música francesa ?
A minha paixão pela música francesa vem de sempre. Sempre se falou francês em casa! A minha avó Jeanne e o meu pai Guy eram Belgas do lado francófono e foi uma língua usada normalmente até a minha avó estar viva, por isso o meu nome Simone. E Aznavour, Bécaud, Dalida, Moustaki e Brel foram meus companheiros de sempre até hoje.

Com perto de 60 anos de carreira, qual a sua melhor recordação artística ?
As recordações são muitas. Fazer revista, comédia, ter conhecido e trabalhado com todos os grandes actores que já partiram e tanto me ensinaram. Peças como “A Marlene”, a “Tragédia da Rua das Flores”… as Eurovisões… Ter cantado por todo este nosso país, ter todos os prémios que quiseram fazer o favor de me dar, ter sido condecorada por dois Presidentes da República e ter a Medalha de Ouro da cidade de Lisboa… Que posso pedir mais…

É uma das mais consagradas artistas Portuguesas com uma vida dedicada à canção, cinema, teatro e televisão. Quais os seus projetos a curto e longo prazo ?
Os que a vida me der para fazer e me deixar fazer! Tudo o que quero é continuar viva e lúcida, e com o mesmo entusiasmo e vontade que tenho tido para poder continuar a agradecer a todos sem excepção, o muito que me têm ajudado a chegar até aqui.

Tem alguma mensagem para a comunidade portuguesa de França ?
Para os meus compatriotas que têm estado tão longe do nosso país: o meu respeito e admiração, o meu carinho, a minha gratidão, e um imenso obrigado por tudo aquilo que têm feito por Portugal.

Partilhar.

Comments are closed.