Ricardinho: “Sou um capitão orgulhoso”

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O “bota de ouro” do Mundial queria a medalha de bronze, mas valoriza o percurso luso.

Caiu o pano sobre o oitavo Campeonato do Mundo de futsal.

Entre os muitos balanços que se seguirão, uma ilação é indesmentível: Portugal mostrou competência e argumentos para lutar pelos primeiros lugares do Mundial. Está entre as quatro melhores seleções do Mundo e esse facto deixa orgulhoso todo o grupo de trabalho que durante 51 dias fez o seu melhor para levar o mais longe possível a representação lusa nesta competição.

Porta-voz do sentimento de dever cumprido, Ricardinho, melhor marcador do Campeonato do Mundo de futsal Colômbia-2016, com 12 golos apontados, elogia a prestação dos comandados de Jorge Braz, sem deixar de reconhecer que há sempre mais espaço para a ambição.

“Estamos orgulhosos do trajeto que fizemos até aqui, foi uma caminhada bonita de um grupo que deu as mãos até ao final. Não cumprimos o objetivo que traçámos depois de estarmos nas meias-finais, mas estamos orgulhosos do nosso trabalho, embora não contentes com o resultado [do jogo com o Irão]”, disse o “mágico” ao fpf.pt.

Ricardinho destacou-se, uma vez mais, numa grande competição, mas as suas palavras desembocam sempre no universo coletivo do jogo. “Tenho tentado ajudar a Seleção o máximo que posso, dando sempre tudo, com ou sem golos, com passes, defendendo, a jogar 30 ou 35 minutos”, sublinhou, acrescentando: “Estou orgulhoso do meu trabalho, do trabalho dos meus companheiros. Sou um orgulhoso capitão desta seleção e vou dar sempre a cara por eles”, frisou.

“Quanto melhor estivermos a nível individual, mais ajudamos a equipa, porque o coletivo sobressai. Infelizmente não conseguimos nenhuma das medalhas do pódio, mas conseguimos um prémio individual. Mas isto nunca depende só de mim. Fui eu que marquei golos, mas alguém teve de me passar a bola para eu marcar. A primeira coisa que fiz quando recebi o troféu foi apontar para os meus companheiros porque sem eles seria impossível [vencer a bota de ouro]”, prosseguiu.

O “bota de ouro” do Mundial-2016 confessou que ainda não sentiu a felicidade plena com a conquista da distinção individual. “Neste momento, com toda a sinceridade, este troféu ainda não tem sabor nenhum, porque só vou conseguir valorizá-lo mais tarde. Se eu pudesse repartir essa bota por todos [os meus companheiro] era o que faria por tudo o que fizeram e se dedicaram”, afirmou.

Olhando à forma como a Equipa das Quinas se apresentou neste Mundial, Ricardinho recordou que as expetativas iniciais foram superadas, até porque à partida ninguém pensaria ser possível ver a nossa Seleção disputar umas meias-finais.

“Infelizmente, não conseguimos aproveitar essa primeira oportunidade [para garantir uma medalha]na meia-final. Tivemos uma segunda oportunidade para estar no pódio e poder levar uma medalha para Portugal, que foi a disputa do terceiro e quarto lugar. Tivemos o jogo na mão, mas a inexperiência e alguns detalhes individuais não nos permitiram aguentar um resultado que nos era favorável. Na marcação das grandes penalidades há competência e qualidade, mas só não falha quem não atira”, referiu em jeito de análise ao jogo com o Irão.

O capitão luso deu, ainda, os parabéns aos argentinos, justos vencedores do Mundial, e congratulou-se com o aumento de competitividade da modalidade. “Ficou claro que a Argentina não teve um jogo de sorte contra nós. Tem muita competência e provou-o ao sagrar-se campeã do Mundo, diante de uma Rússia que toda a gente pensava que ia “atropelar” o adversário. Ficou provado que os jogos fáceis e os favoritos só o são no papel”, concluiu.

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