42ª Festa Franco-Portuguesa de Pontault-Combault reuniu milhares de pessoas, o presidente Cipriano Rodrigues em entrevista exclusiva

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A 42ª edição da grande festa portuguesa de Pontault-Combault reuniu, mais uma vez, milhares e milhares de pessoas. No total, segundo a organização, durante os dois dias de festa, passaram pelo parque anexo da Mairie cerca de 25 mil pessoas.

No sábado, a chuva ameaçou cair, e sentiram-se algumas pingas pouco tempo depois dos portões terem abertos, marcando o inicio da festa. Mas não foi motivo suficiente para afastar a multidão. No domingo, o sol esteve limpo e o parque da Mairie ficou repleto por uma moldura humana que vestia as cores da bandeira de Portugal. Pelo palco passou Manuel Campos, Nelo Ferreira, Papa London, Némanus e Lucenzo no sábado. No domingo, o dia foi anilado por Marcus, Johnny, JH La Légende e Rui Bandeira. O cantor Marco Paulo, também era para subir ao palco, mas por motivos de doença, não pode comparecer na festa, tendo sido substituído pelos Quinta do Bil. Dispersos pelo terreno, estiveram os 33 stands das empresas portuguesas, de distintos sectores de negócio. Durante a festa, no domingo, foi assinado Protocolo de Cooperação entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, o Município de Pontault-Combault e a Associação Portuguesa Cultural e Social de Pontault-Combault (APCS). Assinado por Monique Delessard, Maire local, por António Moniz, Cônsul Geral de Portugal em Paris, e Cipriano Rodrigues Presidente da APCS, com este protocolo de cooperação institucional, a APCS passou a ter um funcionário para se ocupar das matérias sociais, à disponibilidade da comunidade portuguesa. Neste momento, aquando a assinatura do protocolo, o palco estava a ser também pisado pelos dois principais patrocinadores da festa, Carlos Vinhas Pereira, director da companhia de seguros Fidelidade, e Rui Soares, director da Caixa Geral de Depósitos, em França. Ainda José Luís Carneiro, Secretario de Estado das Comunidades Portuguesas; o Cônsul Geral Adjunto de Portugal em Paris; a Coordenadora do ensino de português; o deputado Carlos Gonçalves e o presidente da Câmara Municipal de Caminha, cidade geminada com Pontault-Combault.

A Portugal Magazine esteve à conversa com Cipriano Rodrigues, o novo presidente da APCS, sucessor do ex-presidente Mário Castilho

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Com mais de 40 anos dedicados à associação, Cipriano Rodrigues viu a APCS crescer de ano para ano até se tornar no que é hoje, uma das maiores associações lusófonas da comunidade portuguesa, em França.

Quando é que pisou território Francês pela primeira vez?

Estou cá desde 1970. Em 1972 fui para Portugal fazer a tropa, estive em Angola… Regressei a Portugal em 1975, e em 1976 regressei novamente a França. Entre 1970 e 1972 estive em Rans. Foi no dia 5 de Janeiro de 1976 que cheguei a Pontault-Combault.

E como foi fazer parte da APCS desde essa época?

Era a única associação que havia em Pontault-Combault, que fazia umas festividades pequenas, na altura. Quando vi a homenagem aos homens do 25 de Abril, comecei a interessar-me, porque sou um membro efectivo do 25 de Abril, e adoro. Foi isso que me deu a liberdade de estar aqui hoje a falar. E tudo o que dizia respeito a essa data, eu ia participar. E a partir dai, guardei a minha ligação com a associação. Durante 40 anos, fiz parte da associação, passando por vários postos. Dos quais, vice-presidente, há mais de vinte anos.

Como foi assumir o cargo de Presidente?

Nas últimas eleições, o Mário não se quis apresentar. E eu nunca me colocaria contra ele, porque foram muitos anos a trabalhar juntos. E assim sendo, quase fui obrigado a ocupar o posto. Agora, quero dar continuidade durante um, dois ou três anos e depois preparar a nossa substituição por um homem ou mulher mais jovem. Gostava muito que fosse uma mulher. Para a comunidade portuguesa, ter uma senhora à frente de uma associação portuguesa, acho que era uma coisa valorizada, porque actualmente somos reconhecidos por vários órgãos da comunidade francesa graças à nossa escola portuguesa. Fomos uma das primeiras associações nesse campo e hoje em dia temos 170 crianças a aprender o português.

Qual é o caminho a seguir de agora em diante?

A minha ideia é manter o mesmo rumo e tentar evoluir, porque a vida é feita de evolução. Caminhando com novas ideias. Tentar manter esta linha de trabalho, que pelos resultados à vista, tem sido boa. Tentar avançar a pouco e pouco, seja na festa, nas actividades, ou na angariação de fundos para a associação. O meu objectivo é trabalhar nesse sentido. Para que a associação fique cada vez maior, com uma projecção mais importante na França e em Portugal, para podermos ajudar ainda mais pessoas. Hoje em dia temos uma equipa composta por membros especializados em diversas áreas. Mas na altura, tal como o Mário e eu, éramos todos manuais. E a associação é o que é hoje, graças ao nosso trabalho. Viemos de Portugal para trabalhar na França e como queríamos construir um futuro melhor para os portugueses, nasceu a associação. Foi para isso que começou por ser criada, para defender os direitos dos trabalhadores que muitas vezes eram explorados pelos patrões, que não pagavam, por exemplo. E ainda, ajudar os portugueses a fazer os primeiros papeis.

Qual é a missão/papel da APCS?

A associação sempre ajudou os portugueses com tudo o que era possível, a nível administrativo. E desde que começou a crise, há cerca de seis anos, a situação da emigração ficou igual ou pior do que nos anos 60. Porque antes, vínhamos primeiro e só depois trazíamos a família. Hoje em dia é diferente, as pessoas já chegam à França com mulher e filhos, muitas vezes sem trabalho e sem saber falar a língua. E nós tentamos dar resposta a essas situações, ajudando as famílias a dar os primeiros passos. Temos aqui uma pessoa que entra em contacto com vários organismos, marca encontros, e auxilia em todo o processo. Criamos um curso para as pessoas que vêem de Portugal para França, para aprender a língua francesa, mas apenas a nível da fala. Isto, para que as pessoas possam, no primeiro tempo, poder ir aos organismos e falar com as pessoas. As aulas do curso são ao sábado à tarde.

Em relação à 42ª Festa Franco-Portuguesa… Qual é o balanço?

O balanço é positivo. No sábado esteve o tempo um pouco chuvoso, mas ainda conseguimos ter cerca de 9000 pessoas a partir das 21h até à 01h da manhã. No domingo foi um sucesso, porque o tempo ajudou mais, e tivemos o parque repleto, como é hábito. O sucesso desta festa é o resultado de muito trabalho por parte de todos os membros, durante vários anos. E gostamos de mostrar às autoridades e outras entidades francesas, que nós, enquanto associação, conseguimos organizar uma festa desta dimensão, com entrada gratuita. Segundo alguns homens políticos que andam pelo mundo fora, a nível mundial, esta é a única festa associativa, com esta dimensão, com entrada gratuita.

Uma mensagem para os portugueses…

A associação está aqui para ajudar todos os portugueses emigrantes. Não só os que acabam de chegar, como também os que já cá estão há algum tempo. Porque as pessoas em Portugal têm uma ideia errada da emigração. Em França não há só ricos! Há muitos portugueses que vivem com bastantes dificuldades. E a todos os que estão a passar por dificuldades, desejo que o futuro seja melhor. E que os governos e os homens da política sejam mais honestos e trabalhem para que este problema social que há na Europa deixe de existir. Porque a Europa tem dinheiro, o dinheiro não fugiu! E isto de haver tantos casos de pobreza e problemas sociais, acontece porque os nossos homens políticos, seja em França ou Portugal, não fazem o seu dever. Têm meios para isso, mas não o fazem! É sempre para ajudar o compadre do compadre e a vida política é assim. E está mal! Porque nós enquanto associações fazemos o trabalho, que muitas vezes devia ser feito pelos nossos governantes. Por isso peço a todos os governantes que olhem para a necessidade do povo em geral, que deixem de ajudar os próprios amigos, e trabalhem em prol da sociedade, para que todos tenhamos uma vida melhor.

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