Lusodescendente leva tecnologia às cidades francesas rumo à transição ecológica

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O lusodescendente Leonel António Guerreiro quer transformar o sistema de iluminação das autarquias francesas graças a uma tecnologia com a qual promete reduzir cerca de 70% do consumo elétrico.

A versão final da tecnologia Led-Elweiss foi esta semana apresentada no Salão dos Autarcas, em Paris – onde, em 2014, ganhou o prémio Inovação – e deverá chegar a 30 cidades francesas em 2018, nomeadamente a Estrasburgo, depois de uma fase experimental, nos últimos cinco anos, em 20 autarquias.

“Esta lâmpada [LED] tem uma particularidade: é a única lâmpada que podemos regular a potência de 0 até 70 watts. Por exemplo, se quisermos só 20 watts podemos regular a potência. Com isso, podemos, às vezes, até ultrapassar, 70% de poupança”, disse à Lusa o empresário que nasceu há 45 anos em França.

O sistema de iluminação visa as pequenas cidades e baseia-se em lâmpadas com tecnologia LED, de consumo reduzido, arrefecidas a óleo e “inquebráveis”, cuja potência pode ser programada a partir de um dispositivo móvel.

Leonel Guerreiro explicou que as autarquias vão poder comprar esta tecnologia de iluminação sem ter de comprar novos candeeiros públicos, algo que não era possível até agora e que vai levar a que o investimento seja “duas ou três vezes menos importante”.

“Temos uma autarquia que encomendou 1.000 lâmpadas. Tinham uma fatura de eletricidade de 70.000 euros e ganharam 50.000 euros num ano”, afirmou, explicando que o investimento da cidade foi de cerca de 200.000 euros para adquirir o sistema completo: as mil lâmpadas, os transformadores e a tecnologia para programar a potência a partir de um ‘tablet’, por exemplo.

O sistema de iluminação também vai chegar a alguns estádios e pavilhões desportivos que vão ser usados durante os Jogos Olímpicos de 2018 em França e também chegou a centrais nucleares em França.

Os próximos mercados são a Suíça, a Alemanha e Portugal, para onde o lusodescendente decidiu ir viver “daqui a alguns meses” porque “era um sonho de miúdo”.

“Era uma ideia que eu tinha desde gaiato, desde miúdo. Eu penso que quando estamos longe das raízes, às vezes fazemos coisas demasiadas, por exemplo, fazer um caminho de 150 quilómetros à sexta-feira para comer um bacalhau, num restaurante português, como fazia a minha mãe. Concluímos que era melhor voltar ao país das raízes, aprender a falar português correto, reaprender a nossa cultura e viver a nossa experiência portuguesa”, contou.

Em termos de negócios, vai ser a partir da nova morada portuguesa que Leonel Guerreiro quer “desenvolver os negócios para a Europa inteira”, pelo que pensa abrir em Portugal uma filial da marca Led-Elweiss e apresentar “as primeiras demonstrações” do sistema de iluminação no primeiro semestre de 2018.

Leonel Guerreiro conta, também, abrir uma empresa, em Portugal, no ramo da construção civil e já tem “vários projetos imobiliários”.

O empresário aprendeu a falar português sozinho, há sete anos, através da leitura e começou a trabalhar por conta própria quando acabou a universidade uma vez que não encontrava trabalho “porque em certas regiões de França era um pouco especial ver um filho de português procurar trabalho fora das obras”.

Outro objetivo é levar a sua tecnologia de iluminação aos “lusodescendentes do mundo inteiro”.

“A primeira vez que vi o primeiro exemplar da lâmpada, a primeira coisa em que pensei é que se conseguir desenvolver essa inovação, vai ser para todos os lusodescendentes do mundo inteiro porque quero dar a oportunidade a cada um que tem uma sociedade de eletricidade ou uma sociedade de luz de trabalhar connosco e dar luz ao mundo inteiro”, concluiu, sorrindo.

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