Associação “Associação Memória das Migrações” vai oferecer busto de soldado português da Grande Guerra à sua filha

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A Associação Memória das Migrações lançou uma campanha de angariação de fundos para oferecer a cópia do busto de um soldado português que lutou na Primeira Guerra Mundial à sua filha, de 91 anos.

O busto original de João Manuel da Costa Assunção, que pesa 80 quilos, foi esculpido em pedra pelo artista autodidata Manuel Jorge Pereira em homenagem ao português de Ponte da Barca, que se apaixonou por uma francesa que morava perto da frente de batalha e que acabou por ficar em França.

Agora, a associação quer oferecer uma réplica, “em matéria mais leve”, a Felícia Glória d’Assunção Pailleux, a filha do soldado que nos últimos 40 anos tem sido a porta-estandarte de Portugal nas comemorações anuais da Batalha de La Lys.

“Na nossa semana cultural, no ano passado, o Manuel Jorge Pereira teve a ideia de fazer um busto para oferecer a Felícia, em homenagem ao seu pai. Eu fiquei encarregue de lhe arranjar fotografias e de falar com a família. Mas o busto acabou por pesar 80 quilos e como queremos que ela o leve para as exposições, decidimos angariar fundos para fazer uma cópia em matéria mais leve”, contou à Lusa o presidente da associação, Parcídio Peixoto.

O busto original “deverá ir para um local público”, em França, em memória do Corpo Expedicionário Português (CEP) e a cópia deverá ser entregue a Felícia d’Assunção no dia 9 de abril, durante as comemorações do centenário da Batalha de La Lys, no norte de França.

Felícia Glória d’Assunção Pailleux é a terceira de 15 filhos do soldado que escolheu a França quando a guerra terminou e que foi um dos sobreviventes da Batalha de La Lys, a 9 de abril de 1918, considerada a mais trágica para o CEP.

Felícia contou à Lusa que, no final da guerra, o pai ainda foi até ao barco para regressar a Portugal mas arrependeu-se e foi bater à porta da mãe, onde ficou a dormir no corredor até casar com ela. Alguns anos depois, o português adquiriu a nacionalidade francesa e abriu uma oficina de bicicletas.

Esta é uma das histórias que vão estar em destaque na exposição “Racines” [“Raízes”], comissariada pela bisneta de João Assunção e neta de Felícia, Aurore Rouffelaers, e que vai estar patente de 7 de abril a 6 de maio de 2018, em Richebourg, perto do cemitério onde estão sepultados 1.831 soldados portugueses da primeira guerra mundial.

A imagem de João Assunção vai, ainda, integrar a exposição “As faces do combate”, com os rostos de homens e mulheres que participaram na Batalha de la Lys espalhados pelas diferentes localidades onde esteve o CEP.

A Associação Memória das Migrações, em conjunto com a associação Amicale Culturelle Franco-Portugaise Intercommunale de Viroflay, vai participar nas comemorações do centenário da Grande Guerra a 8 e 9 de abril, com uma viagem a Boulogne-sur-Mer, Richebourg e La Couture.

Este domingo, em Paris, durante o congresso da associação de autarcas de origem portuguesa Cívica, foi anunciado pelo ministro-conselheiro da Embaixada de Portugal em Paris, Carlos Pires, que o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa, se vão deslocar a França para as cerimónias do centenário da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, de 8 a 10 de abril.

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