Maio de 68: Uma cronologia dos principais acontecimentos

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Uma cronologia dos principais acontecimentos relacionados com o movimento de Maio de 68:

1966

17 de maio

Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) e Confederação Democrática Francesa do Trabalho (CFDT) convocam dia de luta, um ano depois das eleições que deram nova maioria do Governo de De Gaulle, após anúncio de revisão da lei da segurança social. “Uma das mais importantes jornadas de ação organizada”, desde 1958, ano dos levantamentos de Argel, segundo as centrais sindicais.

Cargas policiais e barricadas em Redon, na Bretanha.

1967

01 de fevereiro

Jornada nacional de luta convocada pela CGT e CFDT.

24 de fevereiro

Greve nos caminhos de ferro franceses (SNCF). Administração decreta ‘lockout’ e impede acesso dos trabalhadores às instalações.

25 de fevereiro

Início da greve dos 3.000 operários da têxtil Rhodiaceta, em Besançon, que se estende a outras unidades fabris (Lyon-Vaise) da companhia, e prossegue até 22 de março. Trabalhadores contestam emprego parcial, exigem celebração de contrato coletivo, definição de horário semanal e melhores condições de trabalho.

Estudantes e intelectuais juntam-se aos piquetes de greve.

O realizador Chris Marker realiza o documentário “À bientôt, j’espère”, durante a greve. Estreado um ano depois, na televisão francesa, transformou-se num dos “filmes do Maio de 68”.

16 de março

Início da greve na Berliet, fábrica especializada em veículos pesados e material de guerra. Estende-se até dia 29, quando há intervenção da polícia de choque (CRS, Compagnies Républicaines de Sécurité).

20 e 21 de março

Manifestações de trabalhadores em Lyon e Saint Etienne, por contratos de trabalho, definição de horário semanal, direitos sindicais.

28 e 29 de março

Greve nos transportes públicos de Paris (RATP).

abril

Greves na indústria têxtil, nas minas da região de Lorena, nas siderurgias e nos estaleiros de Saint-Nazaire, no Loire, na costa Oeste de França.

Os trabalhadores dos estaleiros navais vão cumprir 63 dias de greve, pelo aumento dos salários. É constituído um comité de apoio, para garantir alimentação às famílias dos grevistas.

17 de maio

CGT e CFDT convocam greve geral contra a proposta de lei da Segurança Social do Governo gaulista. Data assinala protestos do ano anterior.

União Nacional dos Estudantes Franceses (UNEF) associa-se aos protestos em todo o país.

16, 17 e 18 de junho

Manifestações nacionais contra a guerra do Vietname, convocadas por organizações estudantis e sociais.

julho

Aprovação, promulgação e publicação da nova lei da Segurança Social, do Governo gaulista, que aumenta as cobranças e reforça o papel do Estado no estabelecimento de tetos salariais.

01 de outubro

Boicote das eleições para as direções das caixas de previdência/segurança social.

09 a 14 de outubro

Semana de ação das CGT e da CFDT contra a lei da segurança social.

19 e 20 de outubro

Greve dos carteiros da PTT – Postes, Télégraphes et Téléphones (na base dos atuais correios, La Poste, e da France Telecom).

27 de outubro

Início das manifestações na cidade de Mans, de agricultores e operários da Renault, da Jeumont Schneider, Glaenzer-Spitzer e Ohmic, durante vários dias, até início de novembro. Estudantes associam-se aos protestos. Assalto da câmara municipal. Carga da polícia de choque, a CRS. Centrais sindicais somam “várias dezenas de feridos”. São detidas 50 pessoas, durante as manifestações.

30 de outubro

Greve dos maquinistas da Sociedade Nacional dos Caminhos de Ferro (SNCF).

16 de novembro

Manifestação de estudantes contra a guerra do Vietname, em Lyon. São feitas detenções.

06 de dezembro

Greve na Rhodiaceta de Lyon-Vaise, pelos direitos sindicais e melhores salários.

13 de dezembro

Jornada nacional de luta convocada pelas centrais sindocais, CGT e CFDT, contra lei da Segurança Social, a que se associa UNEF.

dezembro

Protestos dos estudantes de Nantes com ocupação de instalações universitárias.

Na base dos protestos está a chamada “Reforma Fouchet”, lançada pelo ministro da Educação Christian Fouchet, em 1966, para acolher os primeiros “filhos do ‘baby boom’” nas universidades, que mais do que duplicaram os alunos, desde 1962, de 210 mil, para 504 mil, em 1968. Em causa estão equivalências, aulas práticas e especialização, falta de professores e de instalações.

Estudantes reclamam participação nas decisões da academia.

1968

08 de janeiro

O ministro da Juventude e Desportos, François Missoffe, é vaiado pelos estudantes da Universidade de Nanterre, na altura uma extensão da Faculdade de Letras da Sorbonne, nos arredores de Paris. Missoffe inaugura uma piscina e responde a uma provocação do aluno Daniel Cohn-Bendit.

23 de janeiro

Greve de 4.000 trabalhadores da Saviem, em Caen, por aumento de salários, reconhecimento dos direitos sindicais e fixação do horário semanal de trabalho. Ocupação da fábrica, que se estende até 02 de fevereiro.

Operários da Jaeger e da Sonoral juntam-se aos protestos. Carga policial.

27 de janeiro

Greve na Moulinex e na SMN, em Caen, em solidariedade com trabalhadores da Saviem, Jaeger e Sonoral.

Estudantes juntam-se aos protestos, que passam pela câmara municipal, pela associação patronal e pelos principais bancos da cidade. São partidas montras. Há carga policial. Balanço aponta para 200 feridos.

30 de janeiro

Greve estende-se a todas as empresas metalúrgicas da região de Caen, mobilizando 15.000 trabalhadores, e prolonga-se até 02 de fevereiro, quando patronato aceita aumento de salários.

05 de fevereiro

Greve dos bancários.

08 de fevereiro

Manifestação em Lyon junto à Reitoria da Universidade, durante a visita do secretário de Estado dos Assuntos Sociais, Jacques Chirac, à cidade, para anunciar ajudas à indústria (com abertura do Mercado Comum) e criação da Agência Nacional para o Emprego, nas regiões do Rhône, Loire, l’Ain e l’Isère.

09 de fevereiro

Anúncio do afastamento do diretor histórico da Cinemateca Francesa, Henri Langlois, pelo Ministério da Cultura, de Andre Malraux. Cerca de 40 cineastas, entre os quais François Truffaut, Alain Resnais e Jean-Luc Godard, ocupam as instalações em solidariedade com Langlois e suspendem a programação.

11 de fevereiro

Manifestação dos operários da Dassault, em Bordéus, a que se associam estudantes.

13 de fevereiro

Manifestação em Paris contra a guerra do Vietname, a três meses do início das negociações de paz, anunciadas para a capital francesa (acordo só será atingido em 1973).

14 de fevereiro

Manifestações estudantis contra o reforma das universidades combinam-se com manifestações em defesa da permanência de Henri Langlois, na Cinemateca Francesa. Concentração junto à Cinemateca acaba com carga policial. Personalidades como Louis Aragon, Marguerite Duras, Jean Genet, Samuel Beckett, Man Ray associam-se aos protestos. Realizador Alain Resnais forma o Comité de Defesa da Cinemateca.

16 de fevereiro

Manifestação em Marselha pelo emprego.

26 de fevereiro

Greve dos professores do ensino secundário, pelo aumento de créditos e pela democratização do ensino.

Primeira reunião dos Comités de Ação dos Liceus, para apelo à greve contra a seleção (‘numerus clausus’) e apoio a greve dos professores.

11 de março

Patronato propõe aumentos salariais de 30 cêntimos/hora. Jovens operários bloqueiam a linha de caminho de ferro Paris-Quimper. As cargas policiais contra operários em Redon. Protestos generalizam-se ao Loire, Calais e a toda a Bretanha.

14 de março

Manifestação convocada pela UNEF e pela Associação Geral dos Estudantes de Lille (AGEL), em Lyon. Reclamam residências universitárias mistas e final da distinção entre alunos maiores e menores de idade (maioridade era reconhecida aos 21 anos).

18 de março

Cerca de 500 alunos de liceus e faculdades de Paris manifestam-se em frente à Cinemateca Francesa, contra afastamento de Henri Langlois. “Des films, pas de flics” (“Filmes, nada de ‘chuis’”) é palavra de ordem.

20 de março

Ataque a uma agência do American Express, em Paris, por manifestantes, num protesto contra a guerra do Vietname.

22 de março

Incidentes na Faculdade de Letras de Nanterre. Quatro alunos que se manifestavam contra a guerra do Vietname são presos. É ocupada a torre da direção da faculdade e o movimento alastra à Sorbonne e a alguns liceus de Paris. É criado o Movimento 22 de Março, encabeçado por Daniel Cohn-Bendit, que viria a ser um dos mais ativos da revolta.

23 de março

São suspensas as aulas na Faculdade de Letras de Nanterre. Estudantes invadem as instalações. Suspensões temporárias das aulas tornam-se recorrentes até início de maio, quando a faculdade é encerrada.

05 de abril

Greve das telefonistas da PTT, contra supressão dos postos de trabalho, com o processo de automatização da rede.

23 de abril

Recondução de Henri Langlois, como diretor da Cinemateca Francesa, pelo ministro da Cultura, André Malraux.

24 de abril

Greve convocada pelos sindicatos metalúrgicos, a nível nacional.

26 de abril

Greve dos trabalhadores da PTT, contra supressão de postos de trabalho.

01 de maio

Centrais sindicais assinalam 1.º de Maio em conjunto, pela primeira vez, desde 1954, em diferentes cidades francesas. Em Paris, o desfile vai da praça da República à Bastilha.

02 de maio

Novos incidentes entre estudantes e polícia, em Nanterre. A Faculdade é encerrada. Concentrações são convocadas para a Sorbonne.

Oito estudantes e professores são chamados ao Conselho de Disciplina, entre os quais os dirigentes estudantis Daniel Cohn-Bendit, do Movimento 22 de Março, e Jacques Sauvegeot, vice-presidente da União Nacional dos Estudantes Franceses, assim como Alain Geismar, secretário-geral do Sindicato do Ensino Superior (SNESup, professores), que se manterá solidário com alunos, ao longo da crise.

03 de maio

Reunião de estudantes no pátio da Sorbonne. Exigem acesso aos anfiteatros. O reitor, Jean Roche, quebra uma regra ancestral e chama a polícia, que ocupa a universidade, expulsa os estudantes com gás lacrimogéneo e encerra as instalações. Vários alunos são detidos no local e nas manifestações que se sucedem, no Boulevard Saint-Michel e no Quartier Latin, onde é levantada a primeira barricada.

Estreia do filme “À bientôt, j’espère”, de Chris Marker, na televisão francesa, ORTF, sobre a paralisação dos 3.000 trabalhadores da Rhodiaceta, em Besançon, nos meses de fevereiro e março de 1967.

04 de maio

UNEF e SNESup apelam à greve por tempo indeterminado. Suspensão das aulas na Sorbonne. Protestos alastram a liceus e a universidades do interior do país. Multiplicam-se as manifestações.

05 de maio

Manifestantes detidos nos dias anteriores são sumariamente condenados e sujeitos a prisão.

06 de maio

Dirigentes estudantis, convocados ao Conselho Disciplinar da Sorbonne, comparecem cantando “A Internacional”.

Novas manifestações no Quartier Latin. UNEF, SNESup e Federação da Educação nacional exigem final das sanções universitárias, reabertura da Sorbonne e das restantes faculdades, anulação de acusações e libertação dos estudantes presos, assim como a saída da polícia do Quartier Latin. Confrontos entre polícia e manifestantes.

Notícias apontam para 400 detenções e para mais de 900 feridos, entre 600 estudantes e 350 polícias.

07 de maio

Perto de 30 mil estudantes percorrem as ruas de Paris, ao som de “A Internacional”. Juntam-se em frente ao parlamento ondem gritam: “O poder está na rua”. A polícia bloqueia o Quartier Latin. Novos confrontos. O Presidente francês, Charles De Gaulle, declara: “Não é possível tolerar a violência nas ruas”.

08 de maio

O ministro da Educação, Alain Peyrefitte, é ouvido no parlamento, onde admite a reabertura da Sorbonne e extensão de Nanterre, se alunos garantirem “restabelecimento da ordem” e abandonarem manifestações.

Reunião dos estudantes de Paris. Os liceus são encerrados.

Manifestações estendem-se à Bretanha e ao Loire.

09 maio

Reabertura da Faculdade de Nanterre. Os estudantes ocupam o Boulevard Saint-Michel, em Paris. Cohn-Bendit enfrenta a polícia: “Informamos os senhores agentes que hoje não combatemos. Será inútil provocarem-nos, porque não vamos responder”.

Manifestações em Nantes, Rennes, Estrasburgo e Toulouse. Em Lyon e Dijon os operários juntam-se aos protestos dos estudantes.

10 de maio

Realizam-se os confrontos mais violentos entre estudantes e polícia, desde o início da crise. Manifestantes concentram-se junto à prisão de La Santé, onde há contestatários detidos. A polícia bloqueia as pontes do rio Sena. Os estudantes ocupam o Quartier Latin e fazem barricadas. Confrontos prolongam-se pela madrugada.

Há tentativas de diálogo, através da Rádio Luxemburgo, em direto, entre o secretário-geral dos Sindicato dos Professores do Ensino Superior, Alain Geismar, um dos líderes do movimento, e o vice-reitor da Sorbonne, assim como entre Cohn-Bendit e o professor de Nanterre e sociólogo Alain Touraine. Sem resultados.

Levantamentos em Bordéus, Grenoble, Lille, entre outras cidades francesas.

Sessão de abertura do Festival de Cannes, que virá a ser suspenso. Cineastas da ‘nouvelle vague’, como François Truffaut e Jean-Luc Godard, declaram-se solidários com estudantes.

11 de maio

As principais centrais sindicais – CGT e CFDT- convocam uma greve geral para 13 de maio. O primeiro-ministro, Georges Pompidou, interrompe uma visita ao Afeganistão. No regresso a Paris, anuncia a reabertura da Sorbonne, no dia 13, e a libertação dos estudantes detidos desde o início do mês.

Universidade de Estrasburgo declara a autonomia.

12 de maio

Jovens operários juntam-se às manifestações de estudantes. Confrontos com a polícia.

Constituição do Comité de Ligação Trabalhadores-Estudantes Portugueses, por alunos portugueses da Sorbonne, com objetivo de contacto com emigrantes nas fábricas.

13 de maio

Greve geral e manifestações em todo o país. Operários concentram-se na cintura industrial da capital francesa, marcham para o centro da cidade e juntam-se às manifestações estudantis. Movimento cresce ao longo dos dias seguintes, chegando a mobilizar dez milhões de pessoas, segundo números oficiais. “Dez anos [de gaulismo]bastam” (“Dix ans ça suffit”) é a palavra de ordem.

A Universidade Sorbonne, fechada pela polícia desde dia 03, é reaberta e ocupada pelos estudantes.

Em Cannes, a Associação de Críticos de Cinema declara-se solidária com estudantes, reclama a abertura do festival a novas cinematografias e a suspensão da edição em curso.

14 de maio

Greve estende-se a novas unidades fabris. A fábrica da Sud-Aviation, em Nantes, é ocupada, estudantes participam nos piquetes. O primeiro-ministro Georges Pompidou anuncia um projeto de amnistia.

Paralisação da metalúrgica de Metz.

Universidade Sorbonne e Faculdade de Nanterre declaram a autonomia.

Ocupação da Escola Superior das Belas Artes de Paris e constituição do Atelier Popular, onde são feitos cartazes, e impressos ‘slogans’ que marcam o Maio de 68, como “Sejam realistas, exijam o impossível”, “Imaginação ao poder”, “É proibido proibir” ou aquele que iguala a polícia de choque às SS nazis, “CRS=SS”. O pintor português Júlio Pomar adotaria o ‘slogan’ para título de uma série de pinturas da época, “Mai 68 CRS-SS”.

15 de maio

Os operários da Renault e os metalúrgicos de Billancourt aderem à greve e ocupam instalações.

Ocupação do Théâtre de l’Ódeon.

16 de maio

O movimento grevista alastra a mais 50 empresas. Ocupação simbólica da sede da Academia Francesa.

17 de maio

Em Cannes, Godard e Claude Leluche reclamam o fecho do festival, enquanto Carlos Saura, presente na seleção oficial com “Peppermint Frappė”, tenta impedir a exibição do seu próprio filme. Sessão acaba em confrontos. Membros do júri manifestam-se solidários com a revolta.

18 de maio

Correios e telecomunicações (PTT) aderem à greve, assim como os sindicatos da indústria química, da indústria têxtil e da função pública, além das empresas Peugeot, Michelin, Bréguet, Citroën, EDF e GDF (gás e eletricidade).

Até ao dia 22 de maio, a greve geral fecha repartições, estabelecimentos comerciais, escritórios, casas de espetáculo, museus.

19 de maio

A emissão da ORTF, televisão pública francesa (ainda não existem operadores privados), passa a ser controlada pelos trabalhadores, jornalistas e técnicos.

Suspensão do Festival de Cinema de Cannes, cinco dias antes data prevista para o encerramento, 24 de maio, na sequência dos confrontos dos dias anteriores.

Conselho de Ministros. O Presidente De Gaulle responde aos protestos: “Reforma, sim, fantochada, não”.

20 de maio

Ocupação do porto de Marselha pelos trabalhadores. A gasolina começa a ser racionada.

Ocupação dos liceus em todo o país. Sindicatos de professores do ensino básico e secundário adere à greve por tempo ilimitado.

A esquerda parlamentar pede a demissão do governo e a convocação de eleições gerais. O franco francês regista grande queda nos mercados.

21 de maio

Encontro de Jean-Paul Sartre (que recusara o Nobel da Literatura em 1964) com os estudantes na Sorbonne. Sartre, que já afirmara que Cohn-Bendit “mantém o movimento no lugar onde deve estar”, acusa a central sindical CGT de querer controlar os estudantes e de seguidismo do Partido Comunista.

Ocupação dos teatros de Paris, e das ordens dos Médicos e dos Arquitetos.

Greve no Banco de França.

22 de maio

Números oficiais apontam para a adesão de dez milhões de pessoas, à greve geral, no universo de cerca de 15 milhões de trabalhadores da indústria e serviços (população ativa, 19 milhões, incluindo agricultura e pequenos ofícios).

No parlamento, a moção de censura ao Governo é ‘chumbada’ por 11 votos.

As autoridades retiram a Daniel Cohn-Bendit, que tem nacionalidade alemã e se encontra de visita a Berlim, a licença de permanência em França. É proibido de entrar no país.

Criação dos Comités de Defesa da V República.

Ocupação da Casa de Portugal, na cidade universitária, que é declarada “Primeiro Território Livre e Socialista de Portugal”.

23 de maio

Manifestações e barricadas no Quartier Latin contra impedimento de entrada de Cohn-Bendit em França. A central sindical CGT demarca-se destes protestos.

24 de maio

Assalto à Bolsa de Paris. Manifestantes incendeiam instalações.

De Gaulle faz comunicação ao país. Promete manutenção da ordem e realização de um referendo, dentro de um mês, sobre a participação de estudantes e trabalhadores na vida das universidades e das empresas.

Confrontos com a polícia em Bordéus, Estrasburgo, Nantes, Toulouse e Lyon, onde morre um comissário de polícia.

Bombas de gasolina fecham, por falta de combustível.

Números oficiais apontam para sete milhões de grevistas.

Manifestantes gritam nas ruas “Somos todos judeus alemães”, em solidariedade com Cohn-Bendit.

25 de maio

Início de negociações entre parceiros sociais – sindicatos, patronato e Governo. ORTF adere à greve.

26 de maio

Grevistas exigem aumento de 35% do salário mínimo, enquanto prosseguem negociações entre parceiros sociais. É decretado o racionamento dos combustíveis.

27 de maio

Governo, sindicatos e patrões assinam acordo que prevê o aumento do salário mínimo de 35%, aumento de 10% dos salários reais e reconhecimento dos direitos sindicais, nas empresas.

CGT apresenta resultados do acordo aos trabalhadores da indústria automóvel, que votam pela continuação da greve.

28 de maio

Demissão do ministro da Educação, Alain Peyrefitte, que será substituído por Xavier Ortoli.

Daniel Cohen-Bendit regressa clandestino à Sorbonne, onde é aclamado.

30 de maio

De Gaulle dissolve parlamento e convoca eleições antecipadas para junho. Adia referendo que anunciara dias antes.

Manifestação nos Campos Elísios, em Paris, de apoio ao Presidente francês.

31 de maio

Remodelação do Governo. Manifestações de apoio a De Gaulle, nas principais cidades francesas.

São retomadas negociações com parceiros sociais, para acordo de trabalho, que se estenderão até 19 de junho. Em paralelo é negociado o estatuto da Função Pública.

01 de junho

Manifestações contra o Governo em todo o país, com a palavra de ordem “Eleição, traição”.

Manifestação convocada pela UNEF, em Paris, lança palavra de ordem: “Isto é apenas o começo, a luta continua!”

Ministério da Educação anuncia novas modalidades de bacharelato e inicia negociações com sindicatos de professores.

04-06 de junho

Início do regresso ao trabalho na função pública, nas empresas, de serviços e nas minas.

Transportes públicos voltam a circular.

Indústrias automóvel e metalúrgica mantêm-se em greve.

Intervenção da polícia na Lockheed-Beauvais.

07 de junho

Fim da ocupação da Renault, em Flins, por operários e estudantes, com intervenção da polícia.

De Gaulle, em entrevista, denuncia movimento de maio como “tentativa de tomada de poder pelos comunistas”.

10 de junho

Início da campanha eleitoral. Confrontos com a polícia. Morre o estudante liceal Gilles Tautin.

Confederações sindicais marcam o regresso ao trabalho para dia 12.

11 de junho

Morrem dois operários em confrontos com a polícia na fábrica da Peugeot de Sochaux. Há 150 feridos.

Reocupação da Renault de Flins, pelos trabalhadores. Regressam as manifestações. Nova noite de barricadas no Quartier Latin.

12 de junho

Governo francês proíbe manifestações e dissolve onze organizações políticas, entre as quais o Movimento 22 de Março, a Juventude Comunista Revolucionária (JCR), de inspiração trotskista, e a União da Juventude Comunista – ML (maoísta). Reabertura das aulas nos liceus.

14 de junho

Polícia entra no Théâtre Odéon, em Paris (um dos seis teatros nacionais de França, atual Théâtre de l’Europe), ocupado desde 15 de maio.

Fábricas da região de Saint Denis decidem pôr fim à greve. Processo é filmado no documentário amador “Reprise”, de Hervé Le Roux, estreado 30 anos mais tarde.

Regresso ao trabalho na Sud-Aviation, em Nantes.

16 de junho

Intervenção policial põe fim à ocupação da Sorbonne.

17 de junho

Final da greve nas fábricas da Renault, na Savien, da Caen, e nos estaleiros de Saint-Nazaire.

Termina ocupação da Casa de Portugal, em Paris.

18 de junho

Ministério da Educação faz mesa redonda com sindicatos para rever modalidades de exames e de avaliação.

23 de junho

Primeira volta das eleições francesas. A frente política liderada por De Gaulle, que conjuga a União para a Defesa da República (UDR) e os Republicanos Independentes (IR), reforça maioria com 43,6% dos votos, e antevê vitória.

24 de junho

Final da greve nas fábricas da Citroën.

27 de junho

Regresso ao trabalho na ORTF.

Escola Superior de Belas Artes de Paris, que se mantinha ocupada pelos estudantes, é evacuada pela polícia.

30 de junho

Segunda volta das eleições. Os Gaulistas sobem aos 46,33% dos votos e conquistam 354 lugares dos 487 da Assembleia Nacional, a que juntam mais 41 de outros movimentos conservadores de direita. Partido Comunista (PCF) fica com 35 lugares e a Federação da Esquerda Democrática e Socialista, de François Mitterrand, com 57.

31 de junho

Reorganização da ORTF. Os 102 jornalistas que aderiram à greve e promoveram a ocupação da rádio e televisões públicas, são afastados da redação.

03-09 de julho

Julgamentos dos líderes universitários, em Grenoble.

05 de julho

Fim da ocupação da Faculdade de Medicina de Paris, pela polícia.

10 de julho

Prisão de militantes de extrema-esquerda, associados com levantamentos de maio, entre os quais Alain Krivine, líder da LCR, que décadas mais tarde virá a escrever a autobiografia “Ça te passera avec l’âge”. Será libertado no outono.

13 de julho

Tomada de posse do Governo liderado por Maurice Couve de Murville.

1969

29 de abril

De Gaulle renuncia, depois de derrotado no referendo sobre a transformação do Senado num corpo consultivo da Assembleia Nacional.

1970

09 de novembro

Morre Charles De Gaulle, a duas semanas de completar 80 anos.

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