Um bom livro abre janelas na cabeça do leitor, diz o ilustrador Benjamin Chaud

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Para o ilustrador francês Benjamin Chaud, que publica sobretudo para crianças, um bom livro “tem de abrir uma janela algures no pensamento do leitor para o ajudar a entender o mundo”, como contou à agência Lusa.

Benjamin Chaud, 43 anos, está por estes dias em Lisboa para apresentar o livro ilustrado “O pior aniversário da minha vida” e, entre sessões com o público, explicou à Lusa que grande parte do trabalho criativo, disperso em cerca de 60 livros, se deve a um exercício diário de criatividade.

“A imaginação é como um músculo, quanto mais praticas e tentas, mais ideias tens. Olho muito à minha volta, leio muito, vejo filmes, vejo o que os outros fazem. Depois disso, ter ideias é tentar desenhar dez vezes a mesma coisa e ver se alguma coisa resultará, nem que seja a partir do erro”, disse.

Benjamin Chaud, que trabalha quase há vinte anos como profissional, tem publicado sobretudo em parceria com outros autores, como Davide Cali e Ramona Badescu. Apenas assinou em nome próprio uma dezena de álbuns, como “A cantiga do urso”, “Adeus, peúgas” e “O pior aniversário da minha vida”, todos com edição em Portugal.

É por causa deste último livro ilustrado – com as mesmas personagens de “Adeus, peúgas” – que está pela primeira vez em Lisboa, a convite da editora Orfeu Negro.

O livro é protagonizado por um rapaz e pelo coelho-anão de estimação, e a história remete para um episódio da infância de Benjamin Chaud.

“Ponho muito de mim no rapaz. Queria que a personagem fosse egoísta, como são todos os miúdos. Queria que os leitores ficassem zangados com o comportamento dele”, admitiu, tal como reconheceu referências a outras duplas famosas da literatura, como Calvin & Hobbes.

Para o autor, é muito mais fácil ilustrar textos de outros autores, porque funciona quase como um exercício, e com a experiência aprendeu também a escrever as próprias histórias. “Não é muito fácil para mim, porque estudei desenho e não escrita, mas fico feliz por fazer os meus próprios livros com as minhas ideias”.

Aliás, Benjamin Chaud faz o que sempre quis. “Ser o melhor desenhador da minha escola. Era bom e achei que devia ir por aí para ser bem-sucedido. (…) Em Paris senti pela primeira vez que estava no meu elemento natural. Quando olho para trás, penso que tive muita sorte”, recordou.

Distinguido já com vários prémios internacionais, Benjamin Chaud pensa sobretudo nas coisas simples quando olha para um livro.

“Leio aos meus filhos e gosto de sentir que posso ser uma ponte entre o sentimento do livro e eles. As histórias são sobretudo sobre sentimentos”, disse.

Benjamin Chaud trabalha habitualmentre em quatro ou cinco livros ao mesmo tempo, e entre viagens de promoção dos livros e sessões com leitores e estudantes, tem sempre tempo para a rotina matinal, onde quer que esteja.

“Todas as manhãs passo uma hora num café, a beber café. É o meu momento criativo. É tempo livre para desenhar e deixar que as ideias apareçam. Só depois vou para o atelier desenhar melhor essas ideias”, disse.

Se tivesse algum conselho a dar a quem quer ser ilustrador é mesmo esse: exercitar o músculo da imaginação todos os dias, num caderno de desenhar.

Benjamin Chaud apresenta o livro “O pior aniversário da da minha vida” e faz uma oficina de ilustração hoje à tarde na Livraria Ler Devagar, em Lisboa.

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