Serralves responde de forma “magnífica” a desafio do Centre National de la Danse em Paris

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A proposta da Fundação Serralves de reunir peças do escultor Francisco Tropa, a momentos de arte performativa, é uma resposta “magnífica” ao convite do Centre National de la Danse, segundo Aymar Crosnier, diretor executivo desta instituição francesa.

Durante três fins de semana, o Centre National de la Danse (CND), instituição de renome no desenvolvimento e investigação da dança contemporanea, abre as suas portas a seis museus de todo o mundo e um dos convidados foi a Fundação Serralves, que mostrará as suas propostas este sábado e domingo.

“Serralves é uma instituição internacionalmente muito reconhecida, porque sempre teve a dança no mesmo patamar das suas exposições e sempre teve a preocupação de as interligar. Considero que a resposta ao nosso desafio é magnífica, porque usa a dança para ativar as esculturas”, disse Aymar Crosnier em declarações à agência Lusa.

A escolha de Cristina Grande, coordenadora do serviço de artes performativas de Serralves, para esta presença em Paris recaiu sobre o artista plástico Francisco Tropa, que apresenta no CND cinco peças, algumas delas que serão acompanhadas de momentos performativos por coreógrafos e bailarinos.

“A escolha recaiu sobre Francisco Tropa porque já tinha trabalhado com ele em palco. Reconheço na sua obra uma dimensão performativa, mesmo que sublimada e, claro, ele está incluído na coleção de Serralves. Ele constrói dispositivos efémeros que têm sempre presente o ponto de vista espacial e temporal, mas sem um fim. Há sempre algo perpétuo na sua obra”, afirmou a comissária.

Francisco Tropa nasceu em 1968, em Lisboa, onde vive e trabalha, com um percurso artístico de mais de três décadas. Representou Portugal nas bienais de Veneza (2011), Rennes (2012), São Paulo (1999) e Istambul (2011), entre outras iniciativas internacionais. Ao longo da carreira, foi cruzando, com a escultura, vários campos artísticos, do desenho à performance e à fotografia.

Para o CND, o artista português preparou as obras “Gigante” (2018), “Lanterna” (2011), “Caracol” (2015), “Scripta” (2016) e “Le perchoir du Goëland” (2018).

Dispostas em espaços normalmente dedicados à dança, Francisco Tropa ficou agradado com a possibilidade de expor cada peça no seu espaço próprio, criando “fios invisíveis” entre elas, mostrando assim a continuidade por detrás das suas obras.

“Da mesma forma que uma ampulheta conta os segmentos de tempo que não acabam, como na ‘Lanterna’, a peça ‘Scripta’ e ‘Gigante’ também são imagens que se constroem e desfazem permanentemente. Ao mesmo tempo, o ‘Caracol’ faz uma pirueta que não vai para lado nenhum. O tema é sempre o mesmo, interpretado de vários formas”, afirmou Francisco Tropa sobre a representação do tempo e do espaço na sua obra.

“Scripta”, uma peça composta por dois espaços onde caixotes e pedras de bronze são dispostas, e “Gigante”, um esqueleto de bronze em permanente montagem, contarão com seis artistas, entre eles três portugueses, para interagirem com elas.

Já a peça “Le perchoir du Goëland”, um género de estendal com folhas de jornal que roda quando manipulado, é alvo de uma coreografia própria “Choses sans ombre”, criada pelos coreógrafos e bailarinos Sofia Dias e Vítor Roriz, especificamente para esta exposição.

“A peça apela a vários tipo de imaginário, há a ideia de que o que vemos é o que é. É um lado muito simples que anula qualquer tentativa de significação e isso ressoa na forma como lidamos com ela. Depois há os jornais que lhe dão utilidade. Nós estamos naquele espaço entre o que vemos, esta estrutura de arame, e a possibilidade que o espaço vazio nos dá”, disse Vítor Roriz.

Em 2011, esta dupla portuguesa recebeu o Prix Jardin d’Europe, pelo espetáculo “Um gesto que não passa de uma ameaça”, e assume atualmente a curadoria do Programa Avançado de Criação em Artes Performativas do Fórum Dança, para a temporada 2018/19.

A iniciativa do Centre National de la Danse, apelidada Convite aos Museus, integra, além de Serralves, museus como o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, de Madrid, o Art Institute of Chicago ou o Musée Éphémère de la Mode, abrindo a instituição a um público mais alargado e os resultados são inesperados.

“O que é interessante é que, no primeiro fim de semana, veio um público completamente diferente que se comportava como se estivesse num museu, agora resta-nos a surpresa e a angústia de não sabermos quem virá. Podemos ter um visitante ou mil”, sublinhou Aymar Crosnier.

A iniciativa “Convite aos Museus” decorre ainda no fim de semana de 08 e 09 de dezembro, com a participação do Musée de la Danse.

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