Entrevista a Nelson Freitas, que esteve em concerto no Olympia

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O artista Nelson Freitas veio a Paris, para um grande concerto na mítica sala L’Olympia. Um espectáculo com a participação dos artistas convidados, Djodje, Stony, Atim e Laise Sanches. Nelson Freitas é um dos artistas mais influentes da actualidade, pelas suas sonoridades únicas representadas por géneros como o zouk, r&b, kizomba,hip hop e soul. Este concerto teve como mote o encerramento da sua tour intitulada de“Ride Or Die”. O artista tem vindo a apresentar temas do seu novo álbum “Four”, que conta com êxitos como “Miúda Linda” e “Break of Dawn”, e outros. “Four” chegou às lojas no dia 1 de Abril, entrando diretamente para o topo das tabelas de vendas nacionais e atingindo o primeiro lugar no iTunes. O êxito   em   torno   das   músicas   de   Nelson   Freitas   atingiu   milhões   de visualizações no youtube e não mostra provas de querer abrandar. Nelson   Freitas   nasceu   na   Holanda,   filho   de   pais   Cabo-Verdianos.   FalaHolandês, Crioulo e Português. Entrou para o mundo do espectáculo através da dança e mais tarde começou a dar cartas como cantor. Hoje, arrasta multidões de fãs e já percorreu grandes palcos de renome, quer a nível nacional, como internacional. A Portugal Magazine esteve à conversa com oartista, dias antes do grande concerto na sala Olympia. Um momento importante para o cantor, dado o prestígio que a sala acarreta. Mais uma conquista, num caminho que tem sido risinho para o cantor. Numa   conversa   descontraída,   Nelson   Freitas   falou-nos   um   pouco   do caminho percorrido até chegar onde está hoje, um pouco da vida pessoal e das ambições que o acompanham. Nelson Freitas na Olympia, uma produção da Dyam e NF Produções.

As tuas inspirações para as músicas têm um pouco de tudo, certo?

Várias línguas e culturas. Sim, têm um pouco de tudo. África, Europa, Estados Unidos… Por exemplo, na   minha   música   ‘Bô   tem   Mel’,   há   uma   mistura   de   vários   idiomas, Português, Inglês e Crioulo. Eu gosto de fazer o que sinto e tentar fazer coisas que ainda ninguém fez na música. E se tiver de misturar vários idiomas, que seja. Gosto de inovar.

Começaste como dançarino e hoje és um cantor bem conhecido. Como é que tudo aconteceu?

No início era um sonho ser cantor. Lembro-me que gostava muito do Michael Jackson. Mas sei também que nunca serei como ele. Comecei por dançar, a música começou a fluir… fiz rap, break dance, fiz parte de alguns grupos… E de   repente   o   público   começou   a   pedir   um   CD.   As   coisas   fluíram naturalmente e depois decidi fazer carreira a solo. Há dias bons e maus, mas as coisas têm corrido bem e sei o que estou afazer. A minha equipa hoje é enorme, já tem pessoas a trabalhar em várias áreas.

Como surgiu a decisão de fazer carreira a solo?

É diferente fazer parte de um grupo e trabalhar sozinho. Obviamente que tudo o que faço passa pela minha equipa também, mas a decisão final é minha. Se é bom, é bom… Se é mau, é mau. E a culpa é sempre minha.

Sobre o teu trabalho em Portugal, como é que tudo começou?

Comecei pelas discotecas africanas. Na altura ia como DJ, e actuava em discotecas e festivais. Fui apresentando o meu trabalho e as pessoas gostaram. É por isso que quando as pessoas dizem: “Ah, esse  boom  de kizomba veio de repente”, eu contradigo. Porque tudo isto tem um trabalho enorme por trás. Através dos festivais ali, das discotecas aqui, entrevistas ali… Por isso, as coisas hoje estão assim, fruto do trabalho dos artistas.

Como defines o teu trabalho?

Eu costumo dizer sempre que é boa música. Porque tento sempre fugir doóbvio. Fiz, por exemplo, um trabalho com o Richie Campbell, que faz reggae. E isso é o quê? Kizomba? Reggae? Não, é uma fusão. E como este, há vários outros com quem tenho trabalhado neste sentido.

Quais são as músicas que mais são associadas à tua imagem?

Tenho várias. Por exemplo, a música ‘Rebound chick’ é um tema que tenho de cantar sempre nos concertos. Como essa, o tema ‘Bô Tem Mel’, ‘Miúda Linda’… é o que o público quer. Todas essas músicas são importantes e mostram um pouco da imagem do artista Nelson Freitas.

Já   estiveste   no   Coliseu   dos   Recreios   onde   a   tua   filha   cantou também. Foi um momento importante?

Sim, claro. É uma música muito importante. Comecei a escrevê-la no dia em que ela nasceu. Senti aquela emoção e as palavras a passar pela minha cabeça. E nesse mesmo dia comecei a gravar a música. E isso ficou na gaveta. Quando ela tinha seis meses, já dizia palavras nessa música. Passado algum tempo, fiz o vídeo, onde é ela quem canta mesmo. Com cinco anos, cantou comigo no Coliseu, para fechar o ciclo. Foi um momento super importante! Para mim, foi o momento alto do concerto, ter a minha filha a cantar para cinco mil pessoas. Ela não estava nervosa, nem nada. Chegou lá, cantou e pronto.

Quem é o Nelson Freitas fora do palco?

A base da minha vida é o trabalho. No trabalho sou bastante rigoroso. Mas na vida familiar sou mais calmo. E claro, está acima do trabalho. A família é a base de tudo. Por isso é que tenho o estúdio em casa. E a minha família trabalha comigo e são muito importantes para a minha carreira. Dão opiniões e dicas, e muito apoio. Por exemplo, a minha filha, cada música que lhe mostro, se ela não gostar, é certo que essa música não vai “bater”.

Qual é a sensação de saber que vais actuar na Olympia?

Uma sala com tanto prestígio artístico. Para mim e a para a minha carreira é next step. Porque é uma sala mítica, com   muito   valor   para   os   artistas.   Cantar   nessa   sala   é   uma   grande responsabilidade para mim e para a nossa cultura. A ideia é dar um grandeshow! Tenho fãs dos 3 aos 80 anos de idade. E parte do público não vai para discotecas nem festivais. E essas pessoas vão adorar ver um espectáculo numa sala como esta. A ideia é encher a sala com varias pessoas, de diferentes origens e culturas.

De todas as viagens que fizeste e momentos que passaste, o que mais te marcou na tua carreira?

Eu tenho dois momentos que sei que foram marcantes para a minha carreira. Quando lancei o meu disco a solo, convidaram-me para ir para Angola. Estavam cerca de 12 ou 13 mil pessoas e o concerto foi tão bem aceite, que quando subi no palco fiquei mesmo emocionado com os gritos e aplausos dos fãs. Foi ai que pensei… Ok, eu posso fazer isto sozinho. Depois, o show no Coliseu dos Recreios que também foi incrível. Um espectáculo de duas horas e meia, com varias participações, que a minha equipa produziu de inicio ao fim. E eu fiquei super orgulhoso, onde pensei…Ok, já temos capacidade de fazer isto também, next step.

Uma mensagem para os portugueses?

Para todos os portugueses, quero dar um obrigado, pois foi por vossa causa que aprendi a falar português. Ao receber tanto carinho da vossa parte, o melhor foi aprender a língua para poder estar mais próximo, quer em entrevistas, quer nos espectáculos. Tenho recebido mesmo muito amor e  carinho quer de Portugal, Angola, Moçambique… Por isso, muito obrigado! Para os jovens em particular, um aviso, atenção, vocês estão a passar por uma vida de ilusões, graças às novas tecnologias. Vocês passam a vida ‘dentro dos telemóveis’, e perdem a vida real. Acordem para a realidade e façam pela vida. É importante trazer algo de novo para o mundo e não seguir aquilo que os outros já fizeram…. Sejam activos!

 

(Nota: Esta entrevista foi realizada, antes do concerto do artista, no Olympia, em Paris.)

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